Infância roubada

 

“Só se vê bem com o coração. O essencial é invisível ao coração”
Saint Exupèry

Mês de janeiro, período de férias escolares fui ao salão de beleza com minha filha que iria cortar o cabelo. Entramos na sala e me deparei com uma menina, que não tinha mais que 10 anos, sentada na cadeira para alisar o cabelo.

Ela tinha um cabelo volumoso e estava bastante embuchado. A cabeleireira ainda não tinha começado o procedimento de alisamento, estava apenas desembaraçando e a menina já chorava de dor e querendo saber se já estava terminando.

No que a mãe informou que ainda não tinha começado, indagando se ela queria desistir, a menina balançou a cabeça negativamente se segurando para não chorar ainda mais.

Às vezes ainda me assusta a escravidão á qual as pessoas estão se submetendo para alcançar um padrão de beleza cada vez mais rigoroso, principalmente as crianças.

Fico imaginando o que faz uma criança de férias, deixar de brincar, para passar mais de quatro horas sentada numa cadeira tendo os cabelos puxados de um lado para o outro, e ainda por cima sentindo dor para ter os cabelos lisos.

Não condeno esses instrumentos para deixar a mulher mais bonita e de bem com ela mesma, até porque também, utilizo esses recursos. O que me choca é a idade com que essas meninas estão se submetendo a esse padrão de beleza e muitas vezes com incentivo dos pais e com o consentimento dos donos de salão.

Estão permitindo roubar a infância de nossas crianças por banalidades.

14/01/2016

Idade dos sonhos

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“As pessoas não ficam velhas porque os anos passam, mas, porque deixam de sonhar”

Qual o sentido da vida se não temos sonhos, ou se temos, não os perseguimos?

Estava me sentindo velha, engessada pra vida. Estava vivendo os sonhos dos meus filhos. Cobrando cada vez mais deles ao ponto de no fim de cada dia me sentir esgotada. E repetia para mim: quando eles estiverem encaminhados vou ter tempo para realizar os meus sonhos.
Um dia parei para refletir e percebi que nem sabia mais se os tinha. Na verdade estavam adormecidos. Quando me dei conta de que não preciso esperar os filhos estarem encaminhados para ter tempo de realizá-los.

Estava me boicotando talvez por medo, insegurança ou simplesmente transferindo a responsabilidade para eles. É mais fácil que assumir as rédeas da própria vida, porém muito menos prazeroso.

A vida não espera para resolvermos todos os nossos problemas, para ganharmos todo o dinheiro que achamos ser necessário, para quando nos aposentarmos, quando nossos filhos casarem e tantas outras desculpas que procuramos para não vivermos o melhor momento de todos. O AGORA, por isso que se chama PRESENTE.

Passei a olhar mais para minhas necessidades, meus sonhos, fazer algo por mim. Todos os dias por menor que seja o tempo que tenho livre me afasto das obrigações e faço algo prazeroso, algo que me revitalize que faça sentir viva.

Assim trouxe de volta meu antigo sonho de aprender a andar de bicicleta. Quando criança nunca tive uma e também não aprendi a andar. Comecei a trabalhar aos 20 anos e um dos meus objetivos era comprar uma bike. E assim fiz. Era linda, rosinha, com cestinha branca.
Na minha primeira tentativa de pedalar quase caio num canal que ficava atrás da rua onde morava. Meu irmão que estava me ensinando quando me viu despencar com a bike nova ficou tão aflito em salvá-la que se esqueceu de mim. Por sorte me agarrei a um arbusto que tinha em volta, e levantei sã e salva.

Outro dia estava voltando da praia com uma amiga e fomos assaltadas por um casal, que levou nossas bikes. Conseguimos recuperá-las, mas, ficou o trauma e parei antes mesmo de aprender a pedalar com segurança e tranqüilidade.

Aos 50 anos resolvi recomeçar. Que loucura depois de tanto tempo, cheia de medo, tensa, porém decidida. Comecei na praia no lugar mais deserto. Quando vinha alguém a quilômetros de distancia já parava e ficava esperando a pessoa passar. Certo dia vinha um casal saindo da água e eu torcendo para eles passarem logo. Fui olhar para o lado para saber se eles já tinham passado, me desequilibrei e caí de cara na areia.

O casal ficou olhando sem entender nada e eu lá, caída. Levantei toda desconfiada e continuei a pedalar tremendo mais que vara verde.

Comecei falando de correr atrás dos sonhos e enveredei pelas minhas aventuras para aprender a pedalar. É que esse é um dos meus sonhos. Aos 51 anos eu ainda perseguindo o sonho de pedalar com naturalidade e segurança.

Acho lindo quando alguém está viajando e simplesmente aluga uma bike e vai conhecer a cidade. Simples assim. Não pra mim, por enquanto, é claro. Mas desistir de sonhar, nem pensar.

A cura está na doença

Todos se assustam
E ficam em pânico quando adoecem
Transformam a doença
Em uma inimiga
Encharcam-se de remédio
Para dela se livrar
Sem observar
Que ela só que lhe alertar
Como uma amiga ela vem lhe salvar
Dos males da alma que está
A lhe acobertar

Muitas vezes chega de mansinho
Para não lhe assustar
Mas você nem percebe
E continua a se maltratar.

Corre de um médico para outro
Querendo seu corpo sarar
Sem perceber que é a alma
Que tem que curar.

Lei da atração

“Cada um de seus pensamentos é uma coisa real – uma força”
Prentice Mulfout

Há um ditado que diz: “A água só corre para o mar”. E é verdade, um fiozinho de água em uma nascente distante sai fazendo seu percurso devagarzinho, rompendo os obstáculos, desviando seu curso quando se faz necessário, mas não para nunca e nem desiste até que encontra um rio mais forte e a este se mistura e continua seu caminho até chegar ao mar. Isso se chama Lei da Atração. Com nós seres humanos, a história não é diferente. Vamos atraindo pessoas e situações nas nossas vidas de acordo com nossa energia em cada momento.

Costumamos dizer que uma coisa ruim não vem só e isso também é verdade. Isso se torna verdade porque quando algo de ruim acontece com a gente logo nosso pensamento muda e focamos só no lado negativo, e muitas vezes não somos capazes de enxergar alternativas. As coisas ruins começam a povoar nossa mente e começamos a alimentar e reforçar essa energia que acaba por dominar nosso ser. Isso também se chama Lei da Atração.

Se quisermos atrair pessoas e situações boas nas nossas vidas devemos focar exatamente no que queremos e não no que NÃO queremos. Muitas vezes ficamos tão preocupados em não atrair coisas negativas que focamos no que não queremos e esquecemos do que realmente importa. Ficar preocupado, por exemplo, em não querer adoecer ao longo do tempo acaba atraindo a doença, e isso serve para todas as situações da nossa vida.

Nosso foco, nosso pensamento e atenção devem estar voltados sempre para o que queremos atrair para nossa vida e não para o que temos medo de atrair.

A Lei da Atração é forte e poderosa. É só sabermos usá-la a nosso favor.

25/04/2016

Sonhos

“Viver sem sonhos pode ser triste, mas, mais doloroso é te-los e não persegui-los”

Fico fascinada com essa nova geração que busca realização profissional, que não se contenta simplesmente em conseguir um emprego estável através de concurso publico, mas sim correr atrás dos sonhos. A realização pessoal passa pela profissional ou vice versa.

Na minha época, e olhe que não faz tanto tempo assim, o foco era a estabilidade financeira, correr atrás de um emprego que desse tranqüilidade e conforto, casar e ter filhos e depois era esperar a contagem regressiva para aposentadoria e esperar os netos nascerem.

Vivi todas essas etapas. Passei em um concurso público que me dava estabilidade, tranqüilidade e conforto, casei e tive filhos, por sinal meus eternos mestres e motivadores a escrever. Com o passar do tempo comecei a sentir um vazio dentro de mim, doía acreditar que já tinha cumprido minha missão nesse plano. Algo gritava dentro de mim era mais forte que eu só não conseguia entender o que poderia querer mais da vida. Tinha conseguido tudo o que a maioria das pessoas sonhava. Inconformada, comecei a buscar alternativas, fiz a Formação Holística da Unipaz que só reacendeu em mim o desejo de fazer algo diferente só não sabia o que. Amei a Formação e até me imaginei como facilitadora de um dos módulos, mas não rolou. Fiz também especialização em Mandalas e também criei expectativas nessa área, mas, não me sentia preparada.

Depois dei uma parada para acompanhar mais de perto o meu filho mais novo nos estudos que acabei sem tempo mas, a leitura e a escrita sempre estiveram presentes. Eram e ainda são a maneira que tinha e tenho de afogar minhas angústias, expectativas, dores, e de sonhar. Escrever se tornou uma terapia e me deixa mais próxima da minha essência.

Objetivo de Rasgando o ventre

Rasgando o Ventre nasceu com o objetivo de ajudar a quem precisa se libertar de rótulos, medos, inseguranças e tantas outras coisas negativas que a gente carrega ao longo da vida.

Para quem quer renascer para a vida, superar suas dores e tristezas compartilhar situações que merecem ser liberadas para poder viver uma nova história. Uma história com mais otimismo, leveza e alegria, pois é isso que você merece.

Dor, sofrimento, problema todos nós temos, a diferença é como cada um conduz seu processo. A vida não precisa ser um fardo, cada situação pode nos trazer ensinamentos, mas precisamos está abertos e receptivos para enxergar o que a vida está querendo nós mostrar.

Nada melhor que compartilhar experiências e sentir que não estar só nesse caminho.

Quando estamos envolvidos emocionalmente, na maioria das vezes, não conseguimos enxergar alternativas, pois só focamos no problema, mas, se existe o problema também existe alternativa. Muitas vezes só precisamos tirar o foco do problema para enxergar com mais clareza.

O papel e a caneta sempre foram meus bons terapeutas por isso estimulo você a utilizar essa nova ferramenta já que estamos na era digital.

Rasgando o ventre

“Preciso despir-me do que aprendi.
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu!
Uma aprendizagem de desaprendizagem”

Alberto Caeiro

Desde criança sempre fui meio reservada, não era de conversar muito e quando ia brincar preferia ficar sozinha no meu canto tinha um mundo particular e não gostava de “ intrusos”.
Como todo adolescente, tinha meus sonhos, angústias, dúvidas, medo, mas nunca gostei de partilhar, principalmente nas reuniões de família, onde todos falavam de tudo ao mesmo tempo. Também nunca fui boa de argumentar meu ponto de vista então se alguém retrucava com mais firmeza o que dizia, sentia vontade de chorar e saia correndo. Eu era insegura e detestava confusão, fazia de tudo pra não ser notada, ficava vagando pelos meus pensamentos. Uma estranha no ninho
Esse meu jeito, ao longo dos anos, me custou caro porque na família eu era tida como a “Santinha” sempre quietinha, boazinha, caladinha, coitadinha e todos os inhas. Nunca desapontava ninguém, não criava confusão. Ficava muito incomodada com esse rotulo e cada vez ficava mais travada ainda, e continuava preferindo não ser notada.
Com o tempo o papel e a caneta tornaram-se meus melhores aliados, meus cúmplices de todas as horas eu não precisava argumentar e nem escutar o que não queria. Escrevia muito depois rasgava, pois não queria testemunha, nem eu mesma queria ler depois, às vezes ficava assustada com meus desabafos.
O que começou como uma “válvula de escape” ao longo dos anos transformou-se em algo prazeroso e passei a escrever sobre quase todos os acontecimentos do meu dia a dia. Escrevo quando estou triste, alegre, de bem com a vida, animada, chateada, apaixonada por mim, ou seja, sempre estou escrevendo.
Nunca tive pretensão de tornar publico até o dia em que li o livro “Roube como um Artista”, de Austin Kleon, que minha filha me emprestou. A partir daí comecei a me sentir motivada a compartilhar situações que muitas vezes são vividas por outras pessoas que também já se sentiram ou ainda se sentem um estranho no ninho.
Nunca estamos sós e estranhos somos todos nós
E assim nasceu Rasgando o Ventre, onde me desnudo e exponho meu ponto de vista sobre várias coisas, brinco com as palavras me divirto e me curo rompendo barreiras renascendo e me abrindo para o mundo sem vergonha do meu eu.