Rasgando o ventre

“Preciso despir-me do que aprendi.
Desencaixotar minhas emoções verdadeiras.
Desembrulhar-me e ser eu!
Uma aprendizagem de desaprendizagem”

Alberto Caeiro

Desde criança sempre fui meio reservada, não era de conversar muito e quando ia brincar preferia ficar sozinha no meu canto tinha um mundo particular e não gostava de “ intrusos”.
Como todo adolescente, tinha meus sonhos, angústias, dúvidas, medo, mas nunca gostei de partilhar, principalmente nas reuniões de família, onde todos falavam de tudo ao mesmo tempo. Também nunca fui boa de argumentar meu ponto de vista então se alguém retrucava com mais firmeza o que dizia, sentia vontade de chorar e saia correndo. Eu era insegura e detestava confusão, fazia de tudo pra não ser notada, ficava vagando pelos meus pensamentos. Uma estranha no ninho
Esse meu jeito, ao longo dos anos, me custou caro porque na família eu era tida como a “Santinha” sempre quietinha, boazinha, caladinha, coitadinha e todos os inhas. Nunca desapontava ninguém, não criava confusão. Ficava muito incomodada com esse rotulo e cada vez ficava mais travada ainda, e continuava preferindo não ser notada.
Com o tempo o papel e a caneta tornaram-se meus melhores aliados, meus cúmplices de todas as horas eu não precisava argumentar e nem escutar o que não queria. Escrevia muito depois rasgava, pois não queria testemunha, nem eu mesma queria ler depois, às vezes ficava assustada com meus desabafos.
O que começou como uma “válvula de escape” ao longo dos anos transformou-se em algo prazeroso e passei a escrever sobre quase todos os acontecimentos do meu dia a dia. Escrevo quando estou triste, alegre, de bem com a vida, animada, chateada, apaixonada por mim, ou seja, sempre estou escrevendo.
Nunca tive pretensão de tornar publico até o dia em que li o livro “Roube como um Artista”, de Austin Kleon, que minha filha me emprestou. A partir daí comecei a me sentir motivada a compartilhar situações que muitas vezes são vividas por outras pessoas que também já se sentiram ou ainda se sentem um estranho no ninho.
Nunca estamos sós e estranhos somos todos nós
E assim nasceu Rasgando o Ventre, onde me desnudo e exponho meu ponto de vista sobre várias coisas, brinco com as palavras me divirto e me curo rompendo barreiras renascendo e me abrindo para o mundo sem vergonha do meu eu.

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