Idade dos sonhos

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“As pessoas não ficam velhas porque os anos passam, mas, porque deixam de sonhar”

Qual o sentido da vida se não temos sonhos, ou se temos, não os perseguimos?

Estava me sentindo velha, engessada pra vida. Estava vivendo os sonhos dos meus filhos. Cobrando cada vez mais deles ao ponto de no fim de cada dia me sentir esgotada. E repetia para mim: quando eles estiverem encaminhados vou ter tempo para realizar os meus sonhos.
Um dia parei para refletir e percebi que nem sabia mais se os tinha. Na verdade estavam adormecidos. Quando me dei conta de que não preciso esperar os filhos estarem encaminhados para ter tempo de realizá-los.

Estava me boicotando talvez por medo, insegurança ou simplesmente transferindo a responsabilidade para eles. É mais fácil que assumir as rédeas da própria vida, porém muito menos prazeroso.

A vida não espera para resolvermos todos os nossos problemas, para ganharmos todo o dinheiro que achamos ser necessário, para quando nos aposentarmos, quando nossos filhos casarem e tantas outras desculpas que procuramos para não vivermos o melhor momento de todos. O AGORA, por isso que se chama PRESENTE.

Passei a olhar mais para minhas necessidades, meus sonhos, fazer algo por mim. Todos os dias por menor que seja o tempo que tenho livre me afasto das obrigações e faço algo prazeroso, algo que me revitalize que faça sentir viva.

Assim trouxe de volta meu antigo sonho de aprender a andar de bicicleta. Quando criança nunca tive uma e também não aprendi a andar. Comecei a trabalhar aos 20 anos e um dos meus objetivos era comprar uma bike. E assim fiz. Era linda, rosinha, com cestinha branca.
Na minha primeira tentativa de pedalar quase caio num canal que ficava atrás da rua onde morava. Meu irmão que estava me ensinando quando me viu despencar com a bike nova ficou tão aflito em salvá-la que se esqueceu de mim. Por sorte me agarrei a um arbusto que tinha em volta, e levantei sã e salva.

Outro dia estava voltando da praia com uma amiga e fomos assaltadas por um casal, que levou nossas bikes. Conseguimos recuperá-las, mas, ficou o trauma e parei antes mesmo de aprender a pedalar com segurança e tranqüilidade.

Aos 50 anos resolvi recomeçar. Que loucura depois de tanto tempo, cheia de medo, tensa, porém decidida. Comecei na praia no lugar mais deserto. Quando vinha alguém a quilômetros de distancia já parava e ficava esperando a pessoa passar. Certo dia vinha um casal saindo da água e eu torcendo para eles passarem logo. Fui olhar para o lado para saber se eles já tinham passado, me desequilibrei e caí de cara na areia.

O casal ficou olhando sem entender nada e eu lá, caída. Levantei toda desconfiada e continuei a pedalar tremendo mais que vara verde.

Comecei falando de correr atrás dos sonhos e enveredei pelas minhas aventuras para aprender a pedalar. É que esse é um dos meus sonhos. Aos 51 anos eu ainda perseguindo o sonho de pedalar com naturalidade e segurança.

Acho lindo quando alguém está viajando e simplesmente aluga uma bike e vai conhecer a cidade. Simples assim. Não pra mim, por enquanto, é claro. Mas desistir de sonhar, nem pensar.

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