Tanto faz

 

tanto-faz

“Eu sou o dono e senhor do meu destino. Eu sou o comandante da minha alma”

William E. Henley

Era um sábado e eu deitada na cama conversando com minha filha. Em um determinado momento lhe perguntei algo e ela me responde: tanto faz.

Olhei para ele e falei: como assim tanto faz? Tanto faz azul ou vermelho, doce ou salgado, rir ou chorar, dormir ou dançar, estudar ou trabalhar, viver ou morrer.
É inerente ao ser humano fazer escolhas. Estamos fazendo escolhas a todo momento desde a hora que acordamos até a hora que vamos dormir. Tanto nas coisas mais simples do dia a dia como escolher a roupa que vamos vestir, o sapato que iremos usar, qual caminho ir para o trabalho, para a escola, até as mais difíceis como qual profissão seguir.

Assim temos também a liberdade de decidirmos como vamos colocar em prática cada escolha. Se com prazer e leveza enxergando em cada situação o lado bom e o que a vida está querendo nos ensinar em cada situação, ou se vamos fazer de nosso dia a dia um fardo a carregar como se o mundo estivesse sempre em débito com a gente.
Ás vezes preferimos deixar por conta do acaso ou o que é pior, deixarmos que outras pessoas decidam por nós. Abrimos mão de decidirmos qual caminho seguir para ficar sentado esperando que alguém nos diga o que fazer, como fazer e quando fazer.
Pode até parecer mais fácil transferir para o outro a responsabilidade de nossas escolhas, pois se não der certo a culpa não é nossa e sim de quem fez as escolhas por nós. Assim achamos que estamos nos livrando da responsabilidade, caso não dê certo.

Ainda somos os primeiros a apontar o dedo para o “culpado” e achamos que estamos saindo ilesos.
É mais fácil transferir a responsabilidade das nossas frustrações e fracassos para o outro, do que assumirmos o controle da nossa vida.
O que não percebemos é que temos o livre arbítrio para fazermos nossas escolhas, e ainda que deixemos por conta do acaso ou transfiramos para outras pessoas, ainda assim estamos exercendo nosso poder de escolhas.
Em qualquer situação somos os únicos e exclusivamente responsáveis pela maneira como nossa vida está sendo conduzida. Mesmo que não façamos nenhuma escolha, essa é a nossa escolha.

Tanto faz. A escolha continua sendo sua.

23/05/2015

Tempo

 

tempo

Em meio ao caos e ao desespero
Chorei e, em vão busquei consolo
No mundo lá fora
Encontrei olhares curiosos,
Agitados, estressados
Encontrei também pessoas tristes como eu
Que procuravam não sei o que, assim como eu
Voltei pro meu mundo e fiquei quieta
Não procurava nada
Porque não havia nada a procurar
Sentei e esperei a dor passar
A mente silenciar
E eu me encontrar.

Férias de mim

 

voce

“Você ainda é você”

Amei o livro Liberdade Crônica de Martha Medeiros. Sabe quando você está lendo e pensa: Poxa até parece que ela me conhece e escreveu pensando em mim. Quando li a crônica “Intoxicada pelo Eu” foi em um momento que estava cansada do meu “eu”, queria poder tirar férias de mim. Olhar pra mim e dizer: Fique aí quietinha onde está que vou tirar férias quando voltar à gente se vê. Seria cômico se não fosse trágico.

Tem dias que cansa ser quem a gente é. São tantas obrigações, compromissos, cobranças principalmente a autocobrança. Essa é forte e dói muito. Tem aqueles dias que a autoestima está tão baixa que você se olha no espelho e diz: Não me aguento mais.

Para esquecer que não posso me separar de mim nem por um único segundo digo em voz alta que é pra eu mesma escutar: bom, já que não dá pra lhe deixar vamos fazer algo que me deixe tão exausta, que nem vou me lembrar que você existe. Então faço algo que canse meu corpo, e que de tão exausto a mente não consiga pensar.

A dança e a caminhada são meus cansaços favoritos. Apesar de cansar meu corpo, revitalizo minha alma.

Esgoto todas as minhas forças e quando me dou conta já estou bem melhor e acabo fazendo as pazes com meu eu.

Encontro divino

 

encontro-devino

“Porque a maior bênção que há na existência é ser você mesmo…”

Osho

Nos momentos de dor, angústia e tristeza cada um busca uma maneira de se fortalecer. Eu também tenho, não uma, mas algumas maneiras onde busco meu fortalecimento. Conversar com Deus é a principal delas.

Não esse Deus que muitas pessoas acreditam existir, que está acima de nós para julgar nossos atos e nos castigar por nossos erros. O meu Deus está em todas as coisas, em todos os lugares e o melhor de tudo, está dentro de mim. Basta permitir escutar a voz que vem do coração.

Fui criada no catolicismo, indo à missa todo final de semana, acompanhando procissão, fazendo promessas. Com o passar do tempo entendi que a fé vai além desses rituais. Nada contra. Até porque ainda vou à igreja gosto de orar principalmente quando a igreja está vazia. Já assistir à missa é mais difícil, mas ainda assim assisto de vez em quando.

Quando danço e deixo meu corpo ser levado pela melodia entro em contato com minha essência, com minha divindade. Neste momento estou me comunicando com meu Deus.
A meditação é um momento de entrega, de quietude e equilíbrio, é quando sinto a força de um ser superior, essa força vem do meu Deus.

Quando escrevo e expresso tudo o que há dentro de mim sinto minha mente se esvaziar e me entrego sem reservas, nesse momento também estou em comunhão com meu Deus.
Não só nos momentos tristes, mas e principalmente nos momentos alegres de gratidão e contemplação são encontros divinos.

Acredito que tudo que é feito com entrega, com verdade e com amor é um encontro divino

Nosso amor

 

casal

Nosso amor não só é a minha melhor história
Mas acima de tudo é a melhor parte de mim
É o meu lado dócil e meu lado transgressor
Meu porto seguro e meu lado destemido
Meu lado ponderado e meu lado louco
Meu lado racional e também o irracional
Com você me entrego às loucuras e doçuras da vida
Viajo por lugares nunca antes imaginados
Penetro em cada espaço do meu ser
Desbravando os mistérios do que é viver
Vivo cada dualidade com intensidade
O choro, a risada, a tranqüilidade,
A agitação, a raiva, a calma……
Todos eles estão dento de mim
Com você aprendo a respeitar
Todo meu ser
Com você não preciso de máscaras
Nem de reparos
Somente tempo pra viver.

Ouriço

 

ourico

“Quem cobra muito de si e dos outros jamais será feliz”

Andando na praia com minha filha, notei que ela não estava bem, muito menos eu. Fiquei calada porque estava muito arredia. Tão arredia que se fosse me comparar a algo seria a um ouriço. Sabe aqueles dias que você acorda pelo avesso, e espeta quem se aproxima? Pois era assim que estava me sentindo, e o pior, sem nenhum motivo aparente.

Foi quando ela comentou que estava sem disposição, sem energia e estava se sentindo como um carrinho de mão. Como assim? Perguntei. Foi quando ela respondeu: “um carrinho de mão só sai do lugar quando alguém empurra”. E falei: imagine um ouriço empurrando um carrinho de mão. Rimos muito uma da outra e ficamos mais leve.

Quando aprendemos a rir de nós mesmos, principalmente nos momentos difíceis, já estamos dando um grande passo para nossa cura.

Alergia

“A mente é a causa de todas as doenças e o coração é fonte de toda cura”
Osho

Caminhava na praia com uma pessoa muito querida quando ela comentou sobre uma matéria que tinha lido onde dizia que daqui a alguns anos, oito entre dez crianças sofrerão de alergia.
Acredito que não só de alergia, mas outras doenças também. Enquanto não mudarmos nosso ritmo de vida, não desacelerarmos a mente e diminuirmos o stress do dia a dia, as doenças vão tomando conta do nosso ser.
A preocupação é ainda maior no que diz respeito às crianças. Elas já nascem com uma carga de obrigação, expectativa, cobrança exagerada. A maioria, pela falta de alguém em casa, vai logo cedo para creche tendo hora pra acordar, comer, brincar.
Ficam parecendo uns robozinhos programados. Muito antes dos dois anos de idade vão para escola para “socialização”, mas já nessa idade as tarefas são muitas. Sem contar na ansiedade dos pais para que seus filhos sejam os melhores, mais espertos, mais fortes o melhor em tudo.
Até as brincadeiras das crianças são na maioria das vezes uma grande competição, tendo os adultos como maiores incentivadores. Brincar está deixando ser lúdico e se transformando em uma grande disputa.
Na faixa dos seis anos começa pra valer a disputa e os excessos de atividades. Além do turno da escola, já abarrotado de matérias (e cá pra nós, uma parte sem serventia nenhuma), a criança tem também curso particular de inglês, português, matemática, prática de esporte. Esse muitas vezes não é o que a criança escolhe, mas o que os pais acham mais conveniente. Então o que seria o momento de diversão e relaxamento para a criança torna-se mais uma obrigação.
Estamos vivendo numa sociedade cheia de exigências, cobranças, comparações, críticas, e a essa altura já foi internalizado o medo de não corresponder às expectativas impostas pela família e sociedade. Então aparece a mais pesada de todas as cobranças: a auto cobrança.
Estamos adoecendo. Os adultos pelo excesso de trabalho, para ter uma vida melhor e poder dar uma vida “melhor” aos filhos, cobrindo-os com todas as coisas materiais tornando-os insaciáveis. As crianças pelas cobranças da sociedade e dos pais que se sobrecarregam para investir nos filhos.
Enquanto não revermos nossos valores, não mudarmos nosso padrão de comportamento, e priorizarmos o que realmente é essencial, vamos continuar adoecendo no corpo, na alma e no coração.

21/04/2015

Delícia de companhia

 

encontro

 

“Viva para surpreender a si próprio, e não aos outros”
Roberto Shinyashiki

Sexta-feira final de tarde e eu em casa, coisa rara. Depois de uma boa leitura fui para cozinha fazer um café e comer com um pedaço de bolo, e o mais gostoso de tudo é que eu estava com a melhor companhia que poderia ter. A minha. Estar comigo mesma em certos momentos é tudo o que preciso para me sentir completa, principalmente se for regada a um bom café com bolo, perfeito.

Quando estou em casa na minha melhor companhia adoro também colocar uma música e dançar, dançar e dançar até meu corpo ficar exausto. É um momento mágico de entrega e renovação da alma.

São momentos como esses que me deixam feliz por existir.

Simples assim.

Banho de cultura

“O corpo é o melhor instrumento de percussão” (Naná Vasconcelos)

O Festival de Inverno de Garanhuns, a cada ano  homenageia personalidades que contribuíram muitíssimo para nossa cultura. Este ano o homenageado foi o ilustre Juvenal de Holanda Vasconcelos, conhecido como Naná Vasconcelos. Esse Pernambucano de alma inquieta que transformava em sons musicais o que encontrava pela frente. Percussionista talentoso ganhou oito prêmios Grammy sendo eleito também por oito vezes o melhor percussionista do mundo pela revista americana de jazz “Down Beat”

Valorizou como nenhum outro a percussão brasileira e se tornou também um mestre no berimbau. Naná, recebeu o título de Dr Honoris Causa pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), sem nunca ter cursado nível superior. Merecida homenagem a esse músico que levou muito batuque para o mundo.

No festival, Garanhuns se transforma em cidade cultural onde tem lugar para todas as formas de expressões artísticas: a música, a dança, teatro, arte cênica, oficinas, mostra literária, cultura popular, e o tão contagiante frevo pernambucano que não deixa ninguém parado. Foi com esse clima de euforia que aconteceu o FIG 2016
É conhecida como Suíça Pernambucana por suas baixas temperaturas no inverno, e também como cidade da garoa. Como dizia o eterno Luiz Gonzaga: “Garanhuns, que terrinha boa! Garanhuns onde o Nordeste garoa”.

Um banho de cultura regado a um friozinho gostoso que é um convite para um delicioso chocolate quente, um bom vinho, e muita diversão. Sem esquecer da culinária deliciosa.

Feliz demais por ter me presenteado com um final de semana cultural, e ainda em companhias maravilhosas.

Viva a Garanhuns pelo festival grandioso, viva a cultura popular e viva ao inesquecível Naná Vasconcelos.