Descoberta

 

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Quando você entrou na minha vida
Senti uma imensa alegria,
Mas não sabia o porquê
Viver já não era mais acordar para mais um dia
Mas, acordar para um novo dia viver

Acordar e sentir prazer
Prazer em sentir o cheiro da manhã
O cheiro de terra molhada
Em ver uma flor desabrochar em todo seu esplendor
Em ver um pássaro galanteando uma flor
Em sentir o vento soprando meu rosto
Em sentir o ar penetrando meu ser

Os dias iam passando
E eu continuava encantada com a vida
Até o dia em que descobri
Que o que trazia em mim
Era amor por você

Amor sentido, mas não vivido
Amor desejado, sonhado, idealizado
Mas não realizado.
Amor de tão perto
Era o mais distante
O mais impossível
O mais irreal
E eu continuava a sonhar

O mundo girou, o tempo passou
A vida se renovou
Um sonho se realizou
E eu aqui com você estou
De tão mágico continuo a sonhar
De tão intenso chego a flutuar
Do impossível
A descoberta de que nada é impossível
E a certeza de como é gostoso te amar.

Mudança

 

images-mudanca“Nada é permanente, exceto a mudança.”

Heráclito

Aí está uma palavrinha que assusta a maioria das pessoas, essa tal de mudança. Seja no campo profissional, pessoal, familiar. Mesmo quando estamos insatisfeitos, sem estímulo para a vida, dizendo querer viver novas experiências, que nos aconteça algo diferente que dê sentido à nossa existência. Ainda assim preferimos ficar lamentando e nos sentindo pobres coitados sem sorte, que nada de bom acontece, que nasceu pra ser um sofredor e continuar sendo o coadjuvante ao invés de assumir a direção da vida, e ser o protagonista da própria história.

Recuamos com medo de enfrentar o desconhecido. Vivemos agarrados ao conhecido e abrimos mão de vivermos novas experiências, conhecer novos lugares, pessoas e o que é mais assustador, até desistimos de ir atrás dos sonhos por medo de sair da zona de conforto.

Recentemente houve uma mudança de sala em alguns setores no local onde trabalho. O meu ficou de fora, também não sei qual seria minha reação, mas fiquei observando a angústia de colegas por ter que mudar somente de sala. Algumas pessoas paralisaram diante da notícia, outras ficaram atônitas querendo saber o porquê e outras ainda saíram pegando tudo que podiam da antiga sala para levar. Minha cadeira, meu material. Mesmo tendo as mesmas coisas no outro setor, só queremos o que julgamos ser nosso, assim, nos sentiremos mais seguros.

Imagine quando a mudança é pra valer mesmo. Como de local de trabalho ou de cidade, aí a pessoa se desestabiliza mesmo. Fica sem dormir, perde o apetite, ou come em excesso pela ansiedade e muitas vezes até adoece. A mudança assusta tanto que até paralisa.

Sofremos tanto e adoecemos ainda mais porque estamos agarrados a tudo e a todos. Somos possessivos e controladores ao extremo e a qualquer sinal de mudança nosso mundo desaba.

Outro tipo de mudança que assusta muito é no relacionamento a dois. Muitas vezes o casal está fadado a um relacionamento onde não mais existe tesão em estar juntos. Perdeu a admiração, o carinho, o respeito e, que de tão desgastado, não existe nem mais o prazer em conversar. Aliás, não tem nem mais o que conversar. Vivem resmungando um com o outro. Mas mesmo assim preferem viver uma solidão a dois que enfrentar uma mudança e se permitir viver uma nova vida.

Antes o sofrimento do conhecido que o prazer do desconhecido.
Claro que toda mudança gera certo desconforto, ansiedade, apreensão, dificuldades, isso é normal. Mas, nada que se compare ao prazer de se superar, vencer obstáculos, experimentar coisas novas, cair, levantar, chorar, sorrir e acima de tudo, VIVER.

“Não permita que o seu medo seja maior que os seus sonhos”.

Mudança faz parte da vida. Só não muda quem está morto pra vida.
04/09/2016

Escravos da cria

 

 

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“As correntes da escravidão só prendem as mãos. É a mente que faz livre o escravo”

Franz Grillparzer

Sou de uma geração que quando criança fazia tudo em casa: lavava, passava, arrumava casa, cuidava dos irmãos mais novos e ainda tinha que correr para atender meus pais sempre que solicitada para fazer algo. Tinha quer ir correndo para não deixá-los esperando.

Devia obediência cega e ainda o medo de fazer algo errado, pois a repreensão era pesada.
Quando eles estavam falando ficava calada só ouvindo, diálogo nem pensar. Eles mandavam, e mesmo que não concordasse obedecia. Essa era a lei.

Tinha horário pra chegar em casa e também ir à missa uma vez por semana. Só depois ia paquerar na praça.

Namoro tinha que ser na porta de casa. Isso aconteceu não só comigo, mas com quase todas da minha geração.

Não querendo dar aos nossos filhos a mesma educação repressora que tivemos, até porque as coisas estavam mudando e precisávamos acompanhar. Não dava mais para ficar numa relação de general. Eu mando e você obedece sem nem saber o porquê. Só que abrimos espaços demais e foi aí que nos perdemos. Queríamos dar tudo aos nossos filhos, conversar de igual pra igual. Ficamos muito próximos deles, o que por um lado foi uma coisa boa; só que escutamos demais e confundimos amizade com autoridade, fomos compreensivos além da conta, complacentes, esquecemos de impor limites e perdemos o controle da situação.

Tornamo-nos escravos dos filhos. Hoje eles sequer querem levantar do sofá para fazer as refeições na mesa, pegar água, arrumar o quarto e tantas outras coisas. O que é pior, estamos permitindo que eles assumam o comando da casa que nós sustentamos. Gritam quando querem algo e não sabem esperar. Acham-se donos da situação e querem ditar as regras, sem contar nos que são agressivos quando suas vontades não são satisfeitas. Nós pais, somos responsáveis por ter permitido essa situação.

A ânsia de fazer diferente foi tamanha que exageramos no excesso de proteção, cuidado e satisfação das vontades dos filhos.

Os colocamos no centro das atenções e estamos pagando caro por isso. Também de nada vai adiantar ficar se culpando do que já foi feito, até porque fizemos porque achávamos que era o melhor a ser feito, e era o que sabíamos fazer.
Mas sempre há tempo para recomeçar. Precisamos reparar o erro e pegar o caminho do meio exercendo nossa autoridade com firmeza, sem perder a serenidade. É uma jornada árdua e requer coragem e determinação, mas precisamos fazer isso para que possamos recuperar a autoridade em nossas casas.

Está em nossas mãos acabarmos com esse tipo de escravidão e mostrarmos aos nossos filhos que os direitos deles terminam quando começam os nossos. No fundo é isso que eles estão pedindo, gritando e implorando que a gente faça e, não estamos conseguindo entender. Que assumamos nosso papel de pai e mãe, exercendo nossa autoridade e poder para que eles se sintam seguros, importantes e amados. Assim tornar-se-ão pessoas confiantes íntegras e aprenderão a respeitar o próximo.

Cuidar dos filhos sim, porém nunca se “escravizar”, nunca permitir que seja quem for se tornar o número um na nossa vida.

03/o9/2015