Encontro Verdadeiro

celular

“É sobre ser abrigo
E também ter morada em outros corações
E assim ter amigos contigo
Em todas as situações.”
Ana Vilela

Por esses dias foi postado no Facebook uma foto em um restaurante, acho que em Los Angeles, mostrando em um canto de cada mesa uma cesta onde as pessoas deixavam o celular só retirando-os no final, quando já estavam de saída. Sendo registrado foto das pessoas durante a permanência no restaurante conversando entre si como se fazia antes da febre do celular.

Achei a ideia fantástica. Esse aparelho foi e continua sendo uma invenção fabulosa e a cada dia com o avanço tecnológico traz novas possibilidades facilitando, muito as nossas vidas. Mas como em qualquer situação, tudo demais é sobra. Estamos sendo controlados, dominados e engolidos por este aparelho.

Na maioria das vezes é a principal e a mais importante das companhias. Em qualquer lugar que as pessoas estejam elas não conversam mais entre si, na realidade, sequer se olham. Vejo casais, que saem juntos, e ao invés de aproveitar o momento para namorar, conversar olhando no olho um do outro, tocarem juras de amor, preferem pegar o celular fazer uma selfie para postar nas redes sociais e colocar uma legenda: “aproveitando com meu amor”, “muito feliz com meu amor” ou algo desse tipo, e passa o tempo inteiro grudado no celular acompanhando as curtidas e os comentários sem sequer olhar um para o outro a não ser na hora de ir embora. Preferem passar o tempo se comunicando com o mundo virtual esquecendo a pessoa que está ao seu lado.

As pessoas estão perdendo a capacidade de conversar umas com as outras, de saber se o outro está bem, se precisa de ajuda ou simplesmente de olhar no olho do outro. Estão ocupadas demais acompanhando a vida de quem está do outro lado da tela. Ainda mais assustador é que muitas vezes, mesmo estando todos em casa se comunicam pelo celular. Nem percebem que tem alguém ao seu lado querendo um olhar sincero, uma palavra amiga, um abraço acolhedor.

A sociedade está adoecendo de solidão e tristeza por falta de contato humano, falta de carinho, de amor. Falta de um olhar de ternura, de compreensão, de solidariedade, falta de tempo para simplesmente conversar e demonstrar o quanto o outro é importante.

Hoje quando alguém pergunta: tudo bem com você? Na verdade ela não está interessada em saber, pergunta por formalidade. Mas se por acaso o outro diz: “não estou nada bem”, a pessoa dá logo um jeito de sair rapidinho, pois não tem tempo a perder com problema de ninguém. Pega o celular e começa a comunicação virtual.
As pessoas preferem se expor nas redes sociais como se fossem produtos em uma vitrine prontas para consumo, onde o mais importante é a aparência. Quanto mais linda for à embalagem maior a exposição, pois o que conta mesmo é mostrar como estão maravilhosas e felizes. Estão valorizando a aparência em detrimento da essência.

Viaja-se hoje para conhecer os lugares através da tela do celular. Não estão interessadas em apreciar a beleza do lugar e sim, sair tirando fotos só para postar. Pode até estar triste, ou chateada, mas na foto está com um sorriso de uma ponta a outra e uma legenda: “Gratidão”.

Que tal quando estiver com a família ou sair com os amigos esquecer um pouco o celular? Se não tiver uma cestinha por perto pode esquecer dentro da bolsa ou no bolso e conversar olhando no olho de quem está ao seu lado. Ficar presente onde você estiver e com quem estiver.

Vamos começar a fazer a mudança que queremos para o mundo e para a nossa vida aproveitando o espírito de confraternização e levando para nossos encontros o melhor presente que podemos oferecer ao outro.

Um encontro verdadeiro.

Aventura

aventura-imagem

“Liberdade é o espaço que a felicidade precisa”
Fernando Sabino

Como uma boa sagitariana, gosto de me sentir livre, de praticar esportes e sempre estou procurando viver algo diferente. Rotina me deixa sufocada, engessada. Sabe uma panela de pressão prestes a explodir? Pois é, sou eu quando estou vivendo a mesmice de sempre. Quando estou me sentindo assim sonho em colocar as malas no carro e sair por ai sem roteiro. Conhecendo cada canto desse país maravilhoso. Não só chegar a um lugar tirar fotos, conhecer os pontos turísticos e ir embora. Mas conhecer a cultura local, os costumes, as tradições descobrir um pouquinho da magia que cada lugar traz, ouvir as histórias do seu povo, fazer parte da realidade deles por um tempo.

Chegar em cada lugar, alugar uma bike e sair conhecendo pedacinho por pedacinho dali, igual fez a personagem de Julia Roberts em Comer, Rezar e Amar. Quando li o livro estava vivendo uma experiência parecida com a que sua personagem vivia. Devorei cada palavra do livro com um mix de dor, tristeza, alegria, prazer e liberdade. Pensei: meu sonho de consumo que ainda irei realizar.

Há momentos em que o espírito aventureiro bate forte. Como ainda não deu para colocar em prática este sonho, me contento em fazer uma caminhada ou quando posso fazer uma trilhar, tomar um banho de cachoeira, um banho de mar. O contato com a natureza acalma meu coração e minha alma.

Entre um delírio e outro alimento minha alma e renovo meu sonho, viajando através da leitura, da arte e do meu blog.

Vamos que vamos que a vida segue em frente.

Flexibilidade

bambu

“Não há que ser forte
Há que ser flexível”.
Provérbio chinês

Todos têm manias. A minha é de sair anotando mensagens, pensamentos, provérbios com que me identifico. Anoto no celular, em cadernos, guardanapos o que tiver ao meu alcance no momento. Foi assim com esse provérbio que recebi por e-mail e tratei de anotar no meu celular.

Fiquei estarrecida porque encaixava perfeitamente com o que estava vivendo no momento. Estava levando tudo muito a sério, querendo ser forte. Não admitia fraquejar achava que tinha que enfrentar o problema de frente.

Tinha que resolver de todo jeito, custe o que custar. Que não podia perder tempo se não o problema aumentava ainda mais. Quando na verdade só precisava ser mais flexível, me afastar um pouco do emaranhando que eu mesma tinha me envolvido, esvaziar a mente para poder ter clareza, lucidez e conseguir visualizar as opções que a vida me oferecia.

Estava me comportando como um carvalho forte, rígido, gigante querendo enfrentar qualquer tempestade por pior que fosse. Aparentemente, nada me abalava. Só que por dentro estava desmoronando, sem forças, sem energia ás vezes até adoecendo.

Quando li esse provérbio, foi como um raio clareando minha mente. Percebi que a vida estava me convidando a ser mais flexível. A agir como um bambu que quando a tempestade chega se curva na direção do vento para se reerguer mais fortalecido depois que a tempestade passar.

Mais do que fortaleza precisamos de flexibilidade nos nossos relacionamentos, na vida para podermos nos reerguer mais fortalecidos e não perdemos nossa dignidade. Ouvir o outro desarmado sem a preocupação de estarmos certos e querendo sempre ser o dono da razão. Mais do que ter razão precisamos ser felizes. Mas do que conhecimento precisamos de amor.
Então sejamos mais bambus nos nossos relacionamentos e menos carvalhos.

Nascemos, vivemos e transcendemos

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“Não chorem à beira do meu túmulo, eu não estou lá. Estou no soprar dos ventos, nas tempestades de verão e nos chuviscos suave da primavera, Eu sou a pressa inquieta dos ruídos da cidade e o silêncio das madrugadas. Não chorem à beira do meu túmulo, eu não estou lá.

Estou no brilho das estrelas perfurando a noite e no cantar alegre dos pássaros. Não, não chorem tristes à beira do meu túmulo, eu não estou lá. Eu não morri. Eu sou a vida incessante e livre que corre nas águas do rio”. ( Mary Elizabeth Frye)

Foi com esse belíssimo texto que Jô Soares em seu programa do dia 20 de setembro fez uma homenagem ao talentoso ator Domingos Montagner. Das inúmeras homenagens prestadas, essa foi uma das mais lindas que assisti.

Somos espíritos vivendo em um corpo. Continuaremos vivos mesmo quando nosso corpo físico não estiver mais neste plano. Estaremos presentes no vento que sopra, no balançar das folhas, na chuva, no brilho das estrelas, na terra molhada, no canto dos pássaros, nas flores, ou seja, em toda parte.

Perdi pessoas muito queridas, e sempre que penso nelas sinto-as em cada parte da natureza. Fecho os olhos e sinto-as próximas a mim.

O dia de finados é uma data em que a maioria das pessoas que perdeu uma pessoa querida vai ao cemitério para fazer uma homenagem e na maioria das vezes, revive toda dor e sofrimento pela ausência e o vazio que essa pessoa deixou.

Toda forma de homenagem é válida, mas sabemos que aquela pessoa não está lá. Por isso, prefiro homenageá-las reverenciando, admirando, cuidando e respeitando a natureza. Somos todos natureza. Viemos dela e para ela retornaremos.