Turbilhão

Meu corpo estremece
Minha garganta grita
Minha alma floresce
Quando penso no que a vida oferece

Quero ser tantas coisas
Tantas pessoas
Para ter tempo de viver
Várias vidas ao mesmo tempo

Quero ser ardente
Igual a toda essa gente
Sentir-me irreverente
Sendo transparente

A vida é pequena demais
Tenho tanto pra viver
E grande demais
Que não consigo fazer

Não sei se grito, choro ou corro
Meu coração é um turbilhão
De tanta emoção
Paraliso sem ação.

Redescobrindo seu Lugar

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Férias sinônimo de relaxar, assistir filme até a madrugada e não ter hora para acordar no dia seguinte, tomar café quase ao meio dia, almoçar às quatro horas da tarde, ir à praia no final do dia, sair com as amigas para um delicioso café e claro, viajar. Tem coisa melhor que viajar?

Às vezes não precisa sair da sua cidade para conhecer novos lugares, fazer coisas diferentes, ou seja, se sentir um turista. Sempre há lugares para explorar e algo para fazer no local onde se mora, mas que no dia a dia passa despercebido, ou porque é um local turístico e a gente por se sentir morador não dá a menor importância, ou porque simplesmente não conhece mesmo.

Aproveitei esse início de ano, já que estou de férias, para redescobrir minha cidade e vivenciar novas experiências. Tem um lugar fantástico, Orlinha Pôr do Sol, e só pelo nome sente-se que é um local fascinante. Em uma terça-feira no final de tarde, fui com minha galera fazer algo que sempre tive vontade, mas não tinha me permitido ainda: Stand Up. Foi gostoso demais. No início o “Titio” (instrutor, que por sinal é maravilhoso) ensinou a gente a usar o remo, como se equilibrar na prancha, tudo tranquilo, ainda não estávamos na água.

Quando subi na prancha, fiquei de joelhos, não pensei em levantar – tamanho era o medo de cair – mas Titio não permitiu e me incentivou a ficar em pé. Foi tenso, mas ao mesmo tempo maravilhoso. Aquele rio imenso, eu em cima de uma prancha tremendo mais que vara verde. Depois fui me acostumando e sentindo um prazer imenso por estar ali vivendo uma nova experiência. A vida pulsava dentro de mim.

Antes de terminar nossa aventura mergulhamos no rio sendo banhado por um lindo por de sol.

Naquele momento, me senti, plena, feliz, completa. Redescobrindo cantos e encantos da minha cidade.
Cheguei em casa com a alma renovada, como um turista quando chega de uma linda viagem.

Diferenças

Cada um nasce no seu tempo
E vem com uma história diferente
Trazendo aprendizado
Da família a qual pertence

Quando somos crianças
Molda-se a gente
Para fazer tudo igual
Não pode pensar diferente

Para ser aceito
Engavetamos os sonhos
Sufocamos os desejos
Todos ficam satisfeitos

Não quero ser quem não sou
Viver uma vida que não é minha
Em um mundo de fantasia
Por medo e hipocrisia

Quero a coragem
Dos que não vacilam
Para viver na contra mão
Escutando o coração

Prefiro está entre os insanos
Que viver a lucidez doentia
Dos que se conformam
E se escondem dentro de uma caixa fria

Vou seguir cantando uma canção
Que fale de amor e compaixão
Que saia das minhas entranhas
E expresse minhas façanhas

De dentro pra fora

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Meu grito é silencioso
Meu silêncio ensurdecedor
Meu medo me fortalece
Minha coragem me estremece

Desbravo a vida buscando o novo
Fujo do que me enrijece e aprisiona
Quero estar inteira
Na minha loucura
Despir-me da minha santidade
E abraçar os meus devaneios

Quero livrar-me das minhas amarras
Quebrar as correntes que prendem
Meus pensamentos
Ser livre de mim mesma

Dentro de mim
Tudo grita, pulsa, ferve
Quero me soltar
Quero me perder
Para poder me achar

Tenho sede de liberdade
De gritar a minha incoerência
De descobrir o mundo
Dentro do meu ser

O Quarteto

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Sou uma pessoa de muita sorte, principalmente no quesito amigos. Recentemente em meu artigo Pecadoras relatei a amizade que começou há 15 anos no local de trabalho e que perdura até hoje, mesmo não trabalhando mais juntas.

No mesmo local de trabalho também nasceu um vínculo de amizade/amor muito forte entre um quarteto representado por essa imagem das quatro cachorrinhas. Cada uma delas representa uma de nós.

Éramos seis no setor. Dois homens e quatro mulheres maravilhosas, completamente diferentes em temperamento, comportamento, estilo de vida. Mas com muitas coisas em comum. Somos inteiras, verdadeiras e com a capacidade para transformar o desgaste do dia a dia em uma gostosa risada.

Cada uma em sua singularidade marcou positivamente a minha vida. Por isso senti uma vontade imensa de compartilhar o que há de mais especial -nossa amizade – expressando um pouquinho do que elas representam para mim. Apesar de não estarmos juntas no dia a dia, no coração continuamos inseparáveis. Quando olho para a foto das cachorrinhas, que continua no local de trabalho vejo a beleza de cada uma.

A morena do grupo (representada pela cachorrinha da ponta direita) é de uma compreensão, um carisma e de uma simplicidade incomparável. Escuta a todos que a procura com paciência e carinho inigualável. Sempre com uma palavra amiga. Abraça a todos com seu olhar acolhedor. Muito família, uma verdadeira mãezona.

A coladinha na morena, de boca aberta sou eu, babando por estar com minhas amigas. Amo demais.

A terceira, com o seu jeito carioca de ser, é muito prestativa, chega junto em qualquer situação, muitas vezes deixando de lado o seu trabalho para ajudar quem precisa. Eu mesma já abusei muito e ainda continuo. Nas horas vagas ainda é arquiteta. Também pudera, é de uma inteligência admirável.

Falar dessa última criaturinha, ou melhor, cachorrinha, é algo que me enche de alegria e ao mesmo tempo de uma saudade incalculável. Ela era e continua sendo uma pessoa tão especial, que o criador a quis perto dele para alegrar o outro plano. Ela era de uma espontaneidade ímpar. Dizia o que pensava sem filtro. Sempre autêntica e verdadeira doa a quem doer. Exemplo de coragem, determinação e muito divertida. Tê-la por perto era motivo para boas gargalhadas.

Quando a conheci não tive muita simpatia, achava que ela falava demais e muito alto, e isso me incomodava. Mas ela tinha algo que conquistava as pessoas, sua autenticidade. E foi assim comigo também. Nós ficamos tão íntimas que a chamava de “Minha Cruz”. Eu dizia que todo mundo carrega uma cruz na vida, e a minha era ela. Fiz até uma brincadeira com um boneco carregando uma cruz que me representava carregando-a, e a gente ria muito de tudo isso. Com o tempo ela também passou a me chamar de cruzinha.

Mesmo não estando conosco no plano físico, continua em nossos corações. Sempre temos algo para falar sobre ela. Sua presença é tão forte que continuamos comentando tudo como se ela estivesse ao nosso lado, de tão marcante que foi, é, e continuará sendo em nossas vidas.

Minha Cruz, nós te amamos muito.

Esse é um capítulo da minha vida que amo relembrar e reviver, pois passei a amar “essas cachorrinhas lindas” não só por causa das qualidades e beleza que cada uma traz, mas, principalmente porque apesar de todas as divergências e diferenças nasceu o respeito, a admiração, e a amizade.