Simples Assim

pontualidade I

Fui a uma apresentação do Festival Sergipano de Artes Cênicas, uma oportunidade maravilhosa para artistas mostrarem seu trabalho e para a população que nunca tem chance de ir ao teatro, já que é a entrada franca.

Assisti a um monólogo maravilhoso sobre a vida de Billie Holiday, uma lenda no jazz. Mas o que quero ressaltar é algo que prezo muito. A pontualidade. Acho fantástico quando vou para uma apresentação, festa, casamento, seja lá o que for e o horário é cumprido. Foi o que aconteceu nesse espetáculo. Parabéns.

Mas infelizmente, no nosso país, é algo difícil de ser respeitado. Já fui pra shows onde o artista atrasou quase uma hora. Inadmissível. Fico horrorizada com tamanha falta de respeito. O artista se comporta como se estivesse fazendo um grande favor em se apresentar. Quando a situação é inversa, ele só está ali por causa do seu publico que está lhe prestigiando e que merece muitíssimo respeito.

Hoje me recuso a ir para um show quando sei que o artista tem a péssima mania de atrasar. Ora, o meu tempo é tão precioso quando o dele então porque vou desperdiçá-lo esperando por alguém que não está me valorizando?

Amo ir aos shows da cantora Maria Bethania – além de ser sua fã – ela é religiosamente pontual, o que aumenta ainda mais minha admiração. Ela sim saber valorizar e respeitar seu público.

O que deveria ser uma atitude normal – o artista cumprir com o horário marcado, até porque foi determinado por ele e sua equipe – hoje é tão raro que os que cumprem tornam-se referências.

O inverso infelizmente também acontece. O show começar na hora marcada e as pessoas chegarem atrasadas e ficam passando na frente de quem está assistindo, fazendo barulho, acendendo a lanterna do celular para procurar um assento. Além de desrespeito ao artista atrapalha quem chegou no horário.

Infelizmente nós brasileiros não esperamos somente quando vamos a um show, pelo contrário, isso acontece na maioria das situações. Consultório médico é um desrespeito total. São horas de espera e muitas vezes quando chega sua vez, o médico mal olha pra você. Sem contar filas em banco, supermercado, cinema e por ai vai.

No quesito pontualidade pareço mais britânica que brasileira.

Esse sempre foi um carma na vinha vida. Esperar, esperar e esperar mais um pouco. Desde a época da faculdade nos tais trabalhos em grupo ou quando saio com amigas. De tanto esperar infelizmente estou começando a aprender a ser brasileira.

Cansei de ficar mais de quarenta minutos sentada numa mesa de restaurante esperando a galera chegar. Hoje só saio de casa quando alguém confirma que também já está indo para o local combinado.

Chega de tanto esperar. Vamos valorizar e respeitar nosso tempo que é muito precioso.

Simples Assim

Ditos Populares

Desde pequena sempre escutava minha mãe explicar os acontecimentos da vida com ditados populares. Na época quase nunca entendia o que queria dizer ou achava nada a ver. Hoje percebo a sabedoria que existe em cada um deles. Também gosto de usá-los, principalmente com meus filhos. Por isso cataloguei alguns com minha família e outros com amigos para compartilhar:

“Pé que não anda não dá topada”
“Quem bem fizer pra si é”
“Onde falta o pão todos brigam sem razão”
“Ver de perto pra contar o certo”
“Deus ajuda quem cedo madruga”
“Mais tem Deus pra me dar, que o diabo pra levar”
“Não há mal que sempre dure nem bem que sempre perdure”
“Quem sabe faz, quem não sabe ensina”
“Quem conta um conto aumenta um ponto”
“Quem desdenha quer comprar”
“Beleza não põe mesa”
“Quem ama o feio, bonito lhe parece”
“Criou fama, deite na cama”
“Quando a esmola é grande o pobre desconfia”
“O que não tem remédio, remediado está”
“Quem pariu Matheus que balance”
“Saco vazio não fica em pé”
“Muito ajuda quem não atrapalha”
“Fazer o bem sem olhar a quem”
“Mentira tem perna curta”
“Quem não se enfeita por si se enjeita”
“Não julgue um livro pela capa”
“O olho do dono é que engorda o boi”
“Quando um não quer, dois não brigam”
“Quem está na chuva é pra se molhar”
“Quem muito abraça pouco aperta”
“Quem beija a boca do meu filho, a minha adoça”

Esses são apenas alguns dos ditados que tanto ouvi e aprendi a gostar pelos ensinamentos que cada um traz em si.

(In)Decisão

 

Sempre tive dificuldades em fazer escolhas, hoje bem menos que há um tempo, mas, ainda assim em algumas situações comuns perco um tempão para decidir. E olhe que não é em relação a algo mais duradouro como a escolha da profissão, ou algo assim.

Tem dias que saio decidida a comprar roupas vou a uma loja e começo a provar tudo que gostei. Provo uma, duas, três vezes as mesmas. Ai chega o momento terrível. O que levar? Então penso, na dúvida melhor não levar.

Ou quando saio comprar um presente, só quero dar algo que tenha a cara da pessoa. Olho pra uma coisa depois pra outra fico imaginando se realmente a pessoa vai gostar. Bate a incerteza e a vendedora olhando pra mim e eu olhando pra um objeto e pra outro e muitas vezes não levo nenhum dos dois. Saio para procurar outra coisa. Isso é muito a minha cara.

Outra situação é quando estou fazendo a mala pra viajar e o clima está oscilando entre temperatura alta e baixa, sol e chuva. Fico olhando para um tipo de roupa, para outro, penso no sapato na sandália – sem contar a parte de acessórios. Prefiro arrumar a mala com antecedência porque numa situação dessas deixo pra decidir depois.

Escolher óculos é outro dilema. Boto e tiro os mesmos óculos váriaaaaaaaaas vezes. Chego até liberar o vendedor para atender outros clientes e fico provando um, provando outro e outro e outro. Até que o vendedor para se livrar diz: Se a senhora não se adaptar tem quinze dias para trocar. Ufa!! assim fica mais fácil decidir. Quando saio da loja ainda fica a dúvida martelando na minha cabeça. Será se esse ficou melhor mesmo? Até chegar em casa e esquecer os outros. Detalhe, nunca voltei para trocar.

Fico agoniada quando gasto minha energia e tempo com coisas que são simples de decidir. Pra uns né? Mas acontece, e não dá pra negar pelo menos pra mim, nem pra vocês agora.

Com essa história de ter o livre arbítrio, de ser responsável pelas minhas escolhas e pela minha vida às vezes brincava com minhas amigas dizendo que era bem mais fácil quando os pais decidiam tudo por nós até mesmo com quem íamos casar, assim não teríamos esse problema. Claro que isso tudo era apenas brincadeirinha.

Exagero à parte acho uma delícia ser dona e senhora das minhas decisões, mesmo com todo desgaste que é. Ás vezes dá uma canseira, mesmo assim não deixa de ser uma delícia ser a única responsável pelas decisões da minha vida.

Um brinde às nossas decisões que nem sempre são as melhores, mas ainda assim são nossas.