Máscaras

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Por que adoecemos tanto? Por que os consultórios e clínicas andam entupidos de gente o tempo inteiro? Quem nunca se perguntou isso?

A vida moderna tem seu bônus e seu ônus, como tudo na vida. Temos a facilidade de comunicação com qualquer pessoa em qualquer parte do mundo; podemos resolver quase tudo pelo celular sem ao menos sair de casa; mas, em compensação adoecemos muito mais. As cobranças e exigências aumentaram muito também.
Começamos o dia correndo de um lado para o outro sempre atrasados para levar filhos na escola, correr para o trabalho (encarando na maioria das vezes algo que não gosta), porém é o que paga melhor.

O consumo desenfreado deixa as pessoas à beira do stress para acompanhar todas as tendências, todos os lançamentos, ter sempre mais e mais mesmo que não precise ou que nem vá usar, mas precisa mostrar para as outras pessoas que possui. Depois precisam trabalhar ainda mais para pagar as contas ou adoecem de preocupação quando não consegue pagar.
Nas relações sociais não é muito diferente, vivemos de aparências. Precisamos mostrar para todo mundo que somos sociáveis, que vamos para todos os eventos, festas e reuniões, mesmo sem vontade, muitas vezes somente para agradar ou corresponder às expectativas que criaram ao nosso respeito.

Quantas vezes você está sonhando com o final de semana para descansar e aí surgem os compromissos sociais. Você que até então estava querendo ficar em casa e relaxar, se sente na obrigação de fazer o que se espera de você. Então põe uma linda máscara de sorriso no rosto e vai para não desapontar o outro, mesmo contra sua vontade.

Vivemos mais para agradar, para mostrar, para ser reconhecida e fazer parte do meio social onde o que conta é aparência de que está tudo bem, de que você é feliz e que gosta de todos e todos gostam de você.

Sinceridade hoje em dia é visto como grosseria ou falta de consideração. E para não sermos mal interpretados vamos empurrando com a barriga e fingindo que está tudo bem.

Podemos ser sinceros e educados. Não precisa ser grosseiro ao recusar um convite. O que não devemos é fazer somente algo para agradar quando está lhe desagradando. Num dia a dia de desgaste, stress, aparência e agressão consigo mesmo, o corpo adoece, não aguenta tanto conflito interno.

Sinceridade com você e com o próximo torna a vida verdadeira e mais saudável. Não precisamos de máscaras, precisamos de sinceridade com amorosidade, olho no olho com ternura. Precisamos assumir quem somos e o que queremos da vida. Nossas vontades, nossas fragilidades, nossos medos e inseguranças. Quando assumimos quem somos, tiramos um peso dos ombros, ficamos mais leve e feliz, nos tornamos mais humanos e sensíveis para nos colocarmos no lugar do outro e entender quando ele simplesmente não pode corresponder nossas expectativas.

Segundo domingo de maio

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Quando criança ficava contando os dias para a chegada do dia das mães, era uma festa lá em casa. Éramos sete filhos e no sábado meu pai saia para comprar os presentes que cada um daria.

Ficávamos em casa esperando ele chegar para distrair minha mãe enquanto entrava no quarto com as compras sem ser visto. Depois corríamos para ver todos os presentes, na maioria itens para a casa como conjunto de copo, faqueiros, travessas. A gente achava o máximo.

No domingo pela manhã acordávamos cedo e ficávamos ansiosos esperando minha mãe chegar da missa. Quando ela chegava corríamos todos ao seu encontro e queríamos entregar os presentes ao mesmo tempo. Ela recebia sentava no sofá e ia abrindo um a um perguntando: quem me deu esse? E cada um respondia na sua vez. Era uma festa.
Depois dessa folia íamos tomar café, nessa data sempre tinha mungunzá e eu adorava. Ficávamos horas na mesa, uma delícia. Um dia com gosto de infância.

Crescemos e continuamos nos reunindo na casa de nossa mãe. A maioria além de filha é mãe também, e os nossos já cresceram. Continuamos comemorando essa data, porém não somente damos presentes, ganhamos também, muito embora o maior presente seja tê-los como filhos. Agora almoçamos juntos, mudança para se ajustar melhor à nova realidade já que não moramos mais na mesma casa. Continua sendo gostoso comemorar porque é uma das poucas datas onde todos os filhos se juntam e é sempre motivo para boas risadas.

A gente cresce e percebe que é uma data meramente comercial. Claro que podemos e devemos aproveitar e fazer deste acontecimento um momento especial, mas o que conta mesmo é o carinho, a atenção, o respeito, compreensão, amizade, gratidão e paciência no dia a dia com nossas mães, só assim poderemos fazer desse segundo domingo de maio um dia com gosto de infância.

Toda tristeza tem sua alegria

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Ninguém gosta de estar triste, ou ficar triste. Esse sentimento é visto como algo ruim. Mas por trás dele há boas lembranças, momentos de alegria e felicidade. O apego ao que já não está mais ao nosso alcance é que faz a gente sofrer.

O apego à infância, de quando a única coisa a fazer era viver o momento presente, sem preocupação, sem medo do futuro.

O apego ao cheiro de um bolo assando no forno do fogão à lenha com gosto de infância.
O apego aos momentos que não voltam mais

Tudo isso às vezes traz uma melancolia, que a gente chama de tristeza. Mas na verdade isso é saudade.

Tristeza mesmo é não ter nenhum sentimento por alguém, um vazio no peito, uma indiferença que faz a gente se sentir solitário, sem nenhuma importância.

Se você está triste é porque já foi feliz, viveu bons momentos, teve um grande amor, pessoas queridas ao seu lado e tantas outras situações que faz a gente se sentir amada, querida, importante e abençoada. Mas tudo na vida passa, assim como os bons momentos passaram, a tristeza também passa. E a gente descobre que é capaz de ser feliz de novo, de dar boas gargalhadas, de sonhar e realizar tantas outras coisas.

Por isso, vivamos o momento presente da melhor maneira possível, pois o amanhã nunca chegará.

Ditos Populares II

Depois que publiquei Ditos Populares, recebi um comentário de minha sobrinha fazendo referência a dois que tinha ficado de fora e que a gente escuta muito no nosso dia a dia. Pensei em incluir na lista já publicada, mas como tinha deixado de publicar vários, decidi fazer nova publicação e aproveitei para catalogar outros com uma amiga.
Minha amiga ficou de pensar e me enviar posteriormente pelo whats App. Para minha surpresa ela enviou não só os ditados, mas uma reflexão sobre como esses ditados influenciaram a vida dela.
Eis o que ela colocou:
“Você provocou em mim uma imersão no passado. Ocorreu-me que esses ditados ouvidos por anos a fio, especialmente nas fases da vida em que estamos mais influenciáveis (infância e adolescência) e por pessoas pelas quais tínhamos respeito, devem ter tido uma influência muito forte na nossa formação. Alguns deles se fossem ditos de maneira diferente talvez eu fosse outra pessoa hoje”.
Acredito sim, que esses ditados que escutamos ao longo dos anos tiveram influência nas nossas vidas tanto positivamente quanto negativamente, mas acredito também que era a maneira que nossos pais tinham de muitas vezes nos alertar prevenindo do mundo que nos aguardava fora de casa.
Com certeza também influenciamos nossos filhos, nem sempre de maneira positiva como gostaríamos, pois depende muito como cada um absorve o que ouve. Um mesmo ditado pode causar resultados diferente em pessoas da mesma família.
Cabe a cada um, tirar o melhor proveito dessa sabedoria popular que influenciou muitas gerações e que encontra guarida nos dias atuais.

Os comentários entre parênteses foram feitos e enviados juntos com outros ditos, pela minha amiga.

“Quem muito se abaixa o fundo aparece” (abaixo à submissão)

“Quanto mais alto, maior o tombo” (ditado pessimista. O que minha amiga ouviu e que a fez sentir medo de subir mais alto.)

“Quanto mais alto, melhor a visão” (ditado otimista. O que gostaria de ter ouvido)

“De boas intenções o inferno está cheio”

“Diga-me que ditados foram incutidos na tua cabeça que te direi quem és.”

“Uma mãe é para cem filhos, cem filhos não é para uma mãe”

“De pequenino é que se torce o pepino”

“Casa de ferreiro espeto de pau”

“Olho no padre, sentido na missa”

“Mais vale um pássaro na mão que dois voando”

“Sofrer para bonita ser”

“Quem dar ao pobre empresta a Deus”

“Quem cospe pra cima cai na cara”

“Uma pessoa prevenida vale por duas”.

“Deus dá o frio conforme o cobertor”

“O que os olhos não vêm o coração não sente”

“Em boca fechada não entra mosquito”

“Quem espera sempre alcança”

“Nem oito nem oitenta”

“Pra baixo todo santo ajuda”

“Apressado come cru”

“Quem tem boca vai a Roma”

“Uma mão lava a outra”

“Antes tarde do que nunca”

“Quem com ferro fere com ferro será ferido”

“Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”

“Antes só do que mal acompanhado”

“Devagar com o andor que o santo é de barro”

“Em terra de cego quem tem um olho é rei”

“Lobo em pele de cordeiro”

“Matar dois coelhos com uma cajadada só”

“Seguro morreu de velho”

“Para morrer basta estar vivo”

“Peixe morre pela boca”

“Quem cala consente”

“Quem está na chuva é pra se molhar”

“Quem diz o que quer, escuta o que não quer”

Que cada um saiba tirar o melhor proveito desses ensinamentos.