Dar a volta por cima

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Adoro carnaval, e como uma boa sagitariana, gosto de estar em um lugar que tenha alegria, animação; por isso vou com tanta frequência para o carnaval de Olinda. Há anos que vou lá nesta data. A energia contagiante das pessoas subindo e descendo as ladeiras, brincando, cantando, cada um no seu jeito especial de ser, onde cabe toda forma de expressão, de amor, de alegria, de brincadeira. O que importa mesmo é viver o momento e ser feliz, e é claro cantar apaixonadamente o hino de Olinda. Esse é um momento de arrepiar a alma.

Mas infelizmente alguns vão com objetivo de roubar. Sem o menor pudor pegam descaradamente o que não lhe pertence. Uma prática que aconteça não somente no período do carnaval.
Eu e minha filha fomos duas das vítimas este ano. Estávamos separadas, porém no mesmo bloquinho, e tudo aconteceu quase na mesma hora e por segundos de distração, estávamos sem nossos celulares. A ação é tão rápida que não dá nem para acreditar.
Nos encontramos um tempo depois do ocorrido, sem ainda sabermos o que tinha acontecido uma com a outra. Quando ela me viu estava ainda meio sem ação e chateada, e meio sem jeito veio me dizer que tinham levado o celular e eu falei: levaram o meu também. Nos abraçamos, saímos conversando e ela me disse que depois de passado o susto, a reação foi fazer uma oração para essa pessoa, porque alguém que vive de tirar o que não lhe pertence não pode ser feliz. Achei esse gesto de uma grandiosidade e senti muito orgulho.
Por isso, decidi publicar esse texto e compartilhar nossa repulsa a qualquer tipo de roubo. Mas o mais importante é que a gente não permitiu que esse fato estragasse nosso carnaval, nossa alegria, nossa vontade de brincar.
Fatos ruins acontecem nas nossas vidas, somos roubados de várias maneiras no nosso dia a dia: quando pagamos impostos e não temos nossos direitos atendidos, quando há aumento abusivos nas taxas de água, energia, aumento de combustível; quando nossos governantes desviam nosso dinheiro para benefício próprio e tantas coisas mais que estamos cansados de saber.
Nunca vou me acostumar, muito menos achar normal nenhum tipo de roubo pois, por menor que seja, é uma agressão, uma invasão à nossa privacidade. A gente se sente meio que impotente,  também não dá para negar que o que aconteceu é reflexo da nossa sociedade.
Mas aconteça o que acontecer, não vou permitir que roubem minha alegria de viver, de aproveitar o momento, de ser feliz, de acreditar no ser humano. Isso ninguém pode tirar de mim. Não posso evitar que coisas ruins aconteçam, mas, posso escolher como vou reagir aos acontecimentos.
Por isso no carnaval de 2019 quero está lá e continuar cantando:
Olinda
quero cantar a ti
esta canção
Teus coqueirais, o teu sol, o teu mar
Faz vibrar meu coração
De amor a sonhar, minha Olinda sem igual
Salve o teu carnaval!

Sim para mim

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Há um tempo atrás me dei conta que passava muito tempo me cobrando do que deixei de fazer, do que fiz e não deu certo, do que poderia ter feito diferente e principalmente, me consumindo com o julgamento das pessoas, principalmente no papel de mãe. Estava me sentindo no fundo do poço e precisava mudar minhas atitudes, pois passava mais tempo dizendo não para mim do que me aprovando e me valorizando.
Mas como tudo tem seu lado positivo, o bom de sentir que chegou no fundo do poço é que não tem mais como descer, a única saída é subir. E foi isso que aconteceu. No meu desespero e depois de muito chorar, percebi que o primeiro passo era parar de me cobrar pelo que já tinha feito, até porque não dava para voltar atrás e também porque sempre fiz o melhor que sabia ou podia em cada momento. O segundo era parar imediatamente de me comparar com as outras pessoas.
Precisava urgentemente começar a dizer sim para mim, para a pessoa que eu era, com meus erros, acertos, minhas dores, minhas alegrias, derrotas e conquistas. Dizer em alto e bom som que eu me aceito e me amo hoje e sempre, aconteça o que acontecer.
Nessa mesma época, em um blog que sigo, tinha a indicação do livro de Shonda Rhimes “O ano em que disse SIM”. Saí para comprar e comecei a ler logo em seguida. A cada página que lia tinha ainda mais certeza de que precisava começar a dizer sim para mim. Aceitar esse desafio foi o primeiro passo para o início da minha transformação.
No livro ela relata mudanças positivas em sua vida depois do ano que ela começou a dizer sim para as coisas que antes não tinha coragem de fazer. Uma leitura fascinante.
Comecei a aceitar que não sou e nem quero ser perfeita. Se assim fosse, seria um ser humano insuportável; isso fez de mim uma pessoa mais leve, tranquila, serena e de bem com a vida.
Compreendi que a cada novo dia tenho a oportunidade de recomeçar, de fazer diferente o que não deu certo, alçar novos voos, buscar novas experiências, sem cobranças e sem comparações.
Sentir na minha essência que a beleza do ser humano está na sua unicidade. Não há ninguém melhor, nem pior, superior ou inferior a mim. Há pessoas diferentes, com histórias de vida e opiniões distintas. O que serve para minha vida pode não funcionar na vida do outro.
Senti isso nas minhas entranhas e assim deixei partir o velho eu que não se encaixava mais nos meus novos pensamentos e sentimentos.
Deixei partir tudo o que estava me aprisionando, que estava me deixando engessada e sem vida. Libertei-me de mim mesma porque entendi que a perfeição não existe e principalmente porque compreendi que, mesmo quando chegar a hora de partir, estarei em construção.

Por isso digo SIM pra mim hoje e sempre.